Quando o hobbie preferido se torna numa obrigação, é porque está chegado o momento de se brincar com qualquer outra profissão...
14 Maio 2008
Tira os óculos, vamos ver o sol!
Fraca a qualidade das lentes com que pensavas esconder o olhar... miravas o infinito, o acaso, perdido, distante, crente de que nem por um só segundo te encontraria nessa divagação...
Esses óculos cinzentos e grandes são realmente grosseiros, fingidos, por dentro da moda mas muito aquém do salutar... vi-te, li-te, soube num instante o que estavas a pensar...
Muita força para lutar contra o Mundo, pouco engenho para te salvares do amor: livre! Livre! Proclamando a boa nova de uma Liberdade que mais não era do que um martírio, ambos sabemos que ninguém partilha uma pronúncia ou vida por obrigação...
Palavras, cores, ideias, lugares, todo um conjunto de pontos de vista que estariam, (talvez, quem sabe) no extremo oposto caso não se tivessem concretizado da forma como concretizaram...
Chorosa lamentava o fim, a separação, a distância, o facto de saber que ali, na outra ponta do Mundo, não podia sequer aguardar a agradável surpresa da tua visita.
Eis o mal das surpresas previstas, eis a lacuna do desejo: se não se concretizam tornam-se em anseios com resultados desastrosos, desagradáveis...
Talvez essa dor luminosa não se deva à distância, mas à expectativa...
A saudade é o resultado de um "tem de ser, virão dias melhores" e não de uma luta intensa, de uma escolha, de uma decisão tomada com a aprovação do corpo e da alma, com sensatez...
Tudo se pode evitar, tudo se pode conseguir, tudo se pode alterar com a rapidez de uma onda ruidosa...
Duvido que passados mil anos de dedicação se não consiga sequer assumir a vontade de errar, de contrariar o humanamente aceitável numa sociedade que finge para evitar assumir que cai no erro de errar num desengano que seria comum, não fosse o tabú ou a ideia errada que a pele não apela à provocação...
O Amor é sagrado, os sonhos já não...
Tira os óculos e vem dançar às cegas, há um planeta cheio de luz à tua espera...
Esses óculos cinzentos e grandes são realmente grosseiros, fingidos, por dentro da moda mas muito aquém do salutar... vi-te, li-te, soube num instante o que estavas a pensar...
Muita força para lutar contra o Mundo, pouco engenho para te salvares do amor: livre! Livre! Proclamando a boa nova de uma Liberdade que mais não era do que um martírio, ambos sabemos que ninguém partilha uma pronúncia ou vida por obrigação...
Palavras, cores, ideias, lugares, todo um conjunto de pontos de vista que estariam, (talvez, quem sabe) no extremo oposto caso não se tivessem concretizado da forma como concretizaram...
Chorosa lamentava o fim, a separação, a distância, o facto de saber que ali, na outra ponta do Mundo, não podia sequer aguardar a agradável surpresa da tua visita.
Eis o mal das surpresas previstas, eis a lacuna do desejo: se não se concretizam tornam-se em anseios com resultados desastrosos, desagradáveis...
Talvez essa dor luminosa não se deva à distância, mas à expectativa...
A saudade é o resultado de um "tem de ser, virão dias melhores" e não de uma luta intensa, de uma escolha, de uma decisão tomada com a aprovação do corpo e da alma, com sensatez...
Tudo se pode evitar, tudo se pode conseguir, tudo se pode alterar com a rapidez de uma onda ruidosa...
Duvido que passados mil anos de dedicação se não consiga sequer assumir a vontade de errar, de contrariar o humanamente aceitável numa sociedade que finge para evitar assumir que cai no erro de errar num desengano que seria comum, não fosse o tabú ou a ideia errada que a pele não apela à provocação...
O Amor é sagrado, os sonhos já não...
Tira os óculos e vem dançar às cegas, há um planeta cheio de luz à tua espera...
01 Maio 2008
Ponto de Admiração
Talvez as questões relativas ao acordo ortográfico não sejam mais do que mera especulação... ainda hoje fui confrontada com um senhor que lamentou:
"Oh menina, o meu computador tem aqui o símbolo de um computador com um ponto de admiração!"
"Sô Zé, u acordo é pra xcrevermos como falamos, nã é pra xscrever como sentimos!!!"
"Oh menina, o meu computador tem aqui o símbolo de um computador com um ponto de admiração!"
"Sô Zé, u acordo é pra xcrevermos como falamos, nã é pra xscrever como sentimos!!!"
25 Abril 2008
25 de Abril
No discurso alusivo ao 25 de Abril, o presidente da República, Cavaco Silva, referiu-se a um estudo desenvolvido pela Universidade Católica que sucintamente avança que os jovens com idade inferior a 29 anos nada sabem acerca da Democracia.
As televisões nacionais avançaram comentários de revolucionários que acreditam que hoje celebramos o dia da Independância em relação à I Guerra Mundial e que aproveitaram para o comemorar nas praias de Portugal.
Certo é que esta foi a Revolução dos Cravos, em que não houve sangue derramado, mas... será que se o 25 de Abril tivesse acontecido a uma sexta-feira 13 as coisas teriam corrido pior?
As televisões nacionais avançaram comentários de revolucionários que acreditam que hoje celebramos o dia da Independância em relação à I Guerra Mundial e que aproveitaram para o comemorar nas praias de Portugal.
Certo é que esta foi a Revolução dos Cravos, em que não houve sangue derramado, mas... será que se o 25 de Abril tivesse acontecido a uma sexta-feira 13 as coisas teriam corrido pior?
05 Abril 2008
Tem calma, Veloso...
Os dias são curtos de mais para encaixar na própria vida...
Correr, correr, correr, olhar para o lado, "bom dia", sorrir, fingir que não vi, saber que fingiram que não viram, "havemos de combinar qualquer coisa?", "para nunca", sabemos... gostamos, amamos, nutrimos demasiada simpatia para não deixar o convite pendente. Acontece, um dia vai acontecer, sabemos, a paz, depois o desconforto, a rotina, a hora do cigarro, a conversa fiada, os minutos contados para dizer disparates, "a gaja é burra", e boa, e o tempo a passar, "tenho de ir", trabalhar mais um pouco...
Um dia diria "vais ver", mas passou, passa a correr, a correr, a correr...
Vem sempre a justiça! O acaso? O destino? A sorte? O azar? O karma? A resignação? Não! Vem a resposta dos astros, dos traços vincados em cada pulsação... agora corroem-lhe os nervos, segue para a sala de partos dos apertos, "quero soltar um grito apertado pró conforto do mundo", anestesia, cobardia, loucura, palpita cada músculo para compensar os anos a fio que viveu sem palpitação...
Vinha a correr, a correr, a correr, a pensar que não há pessoas más, apenas humanos influenciáveis... cada inquisidor tem, lá no fundo, uma mágoa dissimulada, uma forte lavagem cerebral, uma consciência dos actos que, pouco a pouco lhe vai corroendo a alma, e quanto mais a evita mais corroído, e quanto mais corroído mais rancoroso e depois a doença, a falta de sono, a súbtil tentativa da compensação... e outros falam mal porque por vezes... bem? Mal? Que importa? É importante falar, dizer, mostrar que se percebe de qualquer arte que não apenas a da frustração...
Entre todos e todas, apenas há um género perigoso: o dissimulado! Diz sim, pensa não, sorri e esfaqueia, já dizia o rapper, "é isso que me anseia desde que chegou a moeda europeia, só sei que à boleia vem uma recessão"...
Deixo-vos agora, amigos, leitores, discípulos, com um tema para reflexão:
Será que o Miguel Veloso devia pôr uma banda gástrica?
Correr, correr, correr, olhar para o lado, "bom dia", sorrir, fingir que não vi, saber que fingiram que não viram, "havemos de combinar qualquer coisa?", "para nunca", sabemos... gostamos, amamos, nutrimos demasiada simpatia para não deixar o convite pendente. Acontece, um dia vai acontecer, sabemos, a paz, depois o desconforto, a rotina, a hora do cigarro, a conversa fiada, os minutos contados para dizer disparates, "a gaja é burra", e boa, e o tempo a passar, "tenho de ir", trabalhar mais um pouco...
Um dia diria "vais ver", mas passou, passa a correr, a correr, a correr...
Vem sempre a justiça! O acaso? O destino? A sorte? O azar? O karma? A resignação? Não! Vem a resposta dos astros, dos traços vincados em cada pulsação... agora corroem-lhe os nervos, segue para a sala de partos dos apertos, "quero soltar um grito apertado pró conforto do mundo", anestesia, cobardia, loucura, palpita cada músculo para compensar os anos a fio que viveu sem palpitação...
Vinha a correr, a correr, a correr, a pensar que não há pessoas más, apenas humanos influenciáveis... cada inquisidor tem, lá no fundo, uma mágoa dissimulada, uma forte lavagem cerebral, uma consciência dos actos que, pouco a pouco lhe vai corroendo a alma, e quanto mais a evita mais corroído, e quanto mais corroído mais rancoroso e depois a doença, a falta de sono, a súbtil tentativa da compensação... e outros falam mal porque por vezes... bem? Mal? Que importa? É importante falar, dizer, mostrar que se percebe de qualquer arte que não apenas a da frustração...
Entre todos e todas, apenas há um género perigoso: o dissimulado! Diz sim, pensa não, sorri e esfaqueia, já dizia o rapper, "é isso que me anseia desde que chegou a moeda europeia, só sei que à boleia vem uma recessão"...
Deixo-vos agora, amigos, leitores, discípulos, com um tema para reflexão:
Será que o Miguel Veloso devia pôr uma banda gástrica?







